
Um dos principais pontos de ruído entre pesquisadores e clientes tende a ser a construção do “temido briefing”. Esse documento inicial, cuja ausência ou má construção compromete todo o desenvolvimento do trabalho, é a grande batata quente dos projetos, ou seja, ninguém quer assumir a sua construção.
Como primeiro passo, vamos estabelecer as funções de um briefing e o porquê é fundamental a sua (boa) construção! Na perspectiva do pesquisador, ele é o documento que vai estruturar todo o projeto. A partir das informações contidas nele serão delimitados o objetivo central e os objetivos secundários, o público, o mapeamento (ou seja, quais regiões, físicas ou não, serão exploradas), os roteiros de entrevistas, o cronograma previsto, a análise e entrega finais, e também qualquer observação ou precaução importante para o projeto. Sem ele, o processo de pesquisa é bem mais demorado e difícil, como encontrar uma cidade nunca antes visitada sem o auxílio de um mapa.
Do ponto de vista do cliente, podemos dizer que o briefing é a grande segurança de que o projeto vai efetivamente servir aos objetivos da empresa. Ou seja, ainda que o projeto seja desenhado a partir de um ponto de vista científico, é o briefing que vai garantir que o projeto atenda seus objetivos mercadológicos.
O briefing é o ponto de encontro entre duas equipes que, em geral, podem ser muito diferentes. A equipe que realiza a pesquisa, com um olhar científico, frequentemente contrasta com a equipe que demanda a pesquisa, que em geral possui um mind-set mercadológico. É importante que esses dois grupos se encontrem e discutam, inclusive para alinhar um dos principais pontos do projeto: as diferenças entre o objetivo da pesquisa e o objetivo do projeto.
Portanto, o fundamental para a construção desse documento-diretriz-segurança não está tanto nos itens que nele constam ou no tempo exato para construí-lo, mas no diálogo e na participação dos protagonistas do projeto. Ele deve ser uma construção coletiva e uma responsabilidade compartilhada.
Na Onda, adotamos um modelo básico de briefing que levamos na reunião inicial, ainda que cada briefing seja construído de acordo com as especificidades do projeto. Mas em geral há certas questões que nunca podem ficar de fora. Vamos mostrar aqui quais são essas perguntas básicas:
O quê? - qual a questão principal que a pesquisa vai ajudar a responder?
Os quês? - quais são as questões secundárias a serem respondidas, relacionadas à questão principal?
Quem? - quem são os indivíduos, o grupo, o fenômeno ou a instituição objeto da pesquisa?
Onde? - em quais regiões específicas se espera obter as respostas; qual a delimitação geográfica da pesquisa?
Por quê? - qual é a justificativa ou o embasamento para que a pesquisa seja realizada? (aqui é possível incluir alguma hipótese ou presunção que se busca responder, seja confirmando ou refutando)
Como? - através de quais metodologias se espera obter as respostas desejadas? (essa parte normalmente é definida pela equipe especializada em pesquisa, mas é bastante salutar que as metodologias utilizadas sejam discutidas entre pesquisadores e clientes)
Quanto tempo? - qual o prazo esperado para se obter as respostas desejadas? (esse item é de suma importância, visto que evidentemente influencia em todo o planejamento do projeto)
Qual o budget? - entender quanto se espera gastar com a pesquisa (ainda que essa estimativa seja uma ordem de grandeza) é importante para que a estruturação do projeto seja adequada à realidade do cliente.
Como será a entrega? - um report escrito? Uma apresentação de ppt? Um workshop? Um vídeo? (alinhar as expectativas em relação à entrega dos resultados é fundamental para que ninguém saia frustrado)
E aí, agora deu para perder o medo do briefing?
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